ANTES DE A BOLA ROLAR
A transmissão pela TV revelava um
som uníssono e incessante ao fundo: as vuvuzelas, é claro. Elas anunciavam, oficialmente,
que a Copa 2010 iria começar de fato.
Em campo, de um lado os Bafana
Bafana, heróis de uma nação e continente, escalados por Parreira com apenas
Mphela como atacante de ofício. Do outro, os mexicanos, que vestiam a cor negra
no uniforme, e o verde nas arquibancadas, contribuindo para ressaltar o mosaico
de cores do Soccer City. A cerimônia levada a cabo por Sepp Blatter, presidente
da FIFA, e Jacob Zuma, presidente da África do Sul, já no campo de jogo, deve
ter mexido mais ainda com os brios dos Bafana, e intimidado os mexicanos, todos
enfileirados e prontos para a partida.
POSTURA TÁTICA
Embora estremecidos pela presença
maciça da torcida da casa, quem começou melhor e teve a primeira chance foram os
mexicanos, com menos de 2 minutos. Javier Aguirre postou os laterais Aguilar e
Salcido bastante avançados, como alas, e com Guardado, craque do time, no
banco. O esquema: 4-3-3, mas, com a posse de bola, mais parecia um 3-4-3, com o
avanço agudo dos alas, e Rafa Márquez recuando para a saída de bola entre os
dois zagueiros. No ataque, Aguilar jogou fácil contra Twhala. Nesse setor,
Tshabalala, meia esquerdo ofensivo, se preocupou mais em auxiliar na marcação,
e não produziu no ataque, o que contribuiu para a pouca produção ofensiva da
África do Sul.
A África do Sul demorou quase
meio tempo para se adaptar ao jogo mexicano. Quando impôs suas características
de toque de bola conseguiu articular alguma coisa no ataque. Mas foi aí que se
revelou outra arma forte dos mexicanos: a velocidade do contra-ataque. Giovani
dos Santos quase fez, aos 18 min.
Conforme o 1º tempo transcorria,
as vuvuzelas assumiam o papel de termômetro da torcida, e ressoavam em tom mais
baixo. Mas, aos 23 minutos, elas subiram o tom. Na melhor trama de ataque dos
sul-africanos se desenhou aquilo que poderia ser o caminho do gol: nas costas
dos laterais-pontas do México. Nesse caso, em cima de Salcido, que não chegou a
tempo para evitar o cruzamento de Mphela.
Roubadas de bola na saída do time
sul-africano passaram a complicar ainda mais o jogo dos Bafana Bafana. Em uma
dessas ocasiões, Khumalo salvou o que seria o gol de Giovani dos Santos. Na sequência, gol mexicano de Vela
corretamente invalidado, aos 37 min, quando Carlos Alberto Parreira já colocara
Masilela no aquecimento, provável substituto de Thwala, que sofria com os
ataques de Aguilar.
A África do Sul foi inofensiva na
maior parte do primeiro tempo. Inerte no meio-de-campo, e teste para cardíaco
na defesa. Nos minutos finais, porém, uma sequência de escanteios e pressão do
ataque sul-africano, empurrado pela torcida, quase resultou no primeiro gol da
Copa. Assim terminou o primeiro tempo.
ANÁLISE GERAL
Após 1º tempo de domínio do
México, um gol sobrenatural de Tshabalala em contra-ataque fulminante aos 11’,
seguido de uma defesa não menos espetacular do goleiro sul-africano (em mais
uma grande jogada de Giovani dos Santos) mudou os rumos da partida. No
intervalo, Parreira havia sido feliz na alteração: tirou o combalido Twhala e
colocou Masilela, mais firme na marcação. Javier Aguirre não teve a mesma
sorte: trocou Aguilar, que fazia boa partida, e lançou Guardado, um dos craques
do time, para atuar na ligação do meio com o ataque. Mas Guardado não foi bem tática
nem tecnicamente. O México perdeu o domínio da posse de bola que caracterizou o
primeiro tempo, e sofreu diversos contra-ataques que quase ratificaram a
derrota. No entanto, achou um gol a 10 minutos do fim, em falha da defesa
sul-africana, quando as equipes já não se estudavam mais taticamente.
PRINCIPAIS LANCES
PRIMEIRO TEMPO
2’ Aguilar cruza na pequena área,
entre o goleiro e a linha defensiva dos Bafana. Giovani dos Santos finaliza
para fora.
14’ Giovani dos Santos cobra
escanteio, Mokoena não chega a tempo, mas Franco cabeceia para fora.
18’ Contra-ataque do México
puxado por Giovani dos Santos, que finaliza forte, para fora.
23’ Mphela recebe nas costas de
Salcido e cruza. O goleiro Pérez, sozinho no lance, quase faz uma lambança.
32’ Franco recebe de Vela antes
de Mokoena e finaliza para excelente defesa de Khune.
37’ Após cobrança de escanteio,
Franco desvia e Vela complementa para o gol vazio. Mas havia posição de
impedimento na jogada.
40’ Franco, sem marcação,
cabeceia para fora o cruzamento de Giovani dos Santos.
43’Mphela, novamente em cima de Salcido, não
alcançou um cruzamento de Tshabalala dentro da área.
SEGUNDO TEMPO
9’GOLAÇO de Tshabalala, que
recebeu lindo passe de Dikgacoi e mandou no ângulo
14’ Giovani dos Santos faz jogada
individual pela esquerda e solta a bomba, no ângulo. Khune faz defesaça!
21’ Modise perde ao chutar para
fora uma bola que sobrou de chute de Mphela.
24’ Modise, novamente, desperdiça
cara a cara com Pérez.
34’ GOL de Rafa Márquez! Em falha
coletiva de marcação dos Bafana, o zagueiro mexicano recebeu cruzamento de Guardado
e fuzilou Khune.
40’ Blanco levanta para Javier Hernandez,
que dentro da área tenta a finalização, mas é travado por Khumalo.
44’ O estádio silencia ao aguardar a conclusão
de Mphela, que recebeu chutão do goleiro Khune, ganhou do zagueiro.
Um comentário:
Queira MUUUUUUUUUUITO ter visto esse jogo.
Só de acompanhar pelo "ao vivo" do UOL já fiquei nervosa,huhu.
E sobre o resultado, só digo uma coisa: ficou mais difícil AINDA prever alguma coisa nesse grupo A.
Ps.: Rick, tenta colocar umas fotos e vídeos quando saírem! =)
Beijos,
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