quinta-feira, 8 de julho de 2010

Prognóstico da Final da Copa 2010

Holanda e Espanha fazem uma final sem favoritos que  originará a 8ª equipe no seleto grupo das seleções campeãs mundiais.

A Espanha ainda não encantou os analistas da maneira como se esperava, mas também não cometeu mais nenhum deslize depois da estreia com chocante derrota para a Suíça (0x1). Talvez essa impressão se dê pelo fato de que todos os jogos envolvendo a Espanha tiveram poucos gols (além da derrota para os suíços, quando passaram em branco, 2x0 em Honduras, 2x1 no Chile, e 1x0 nos três jogos mata-mata que fez diante de Portugal, Paraguai e Alemanha).

A Holanda possui uma série de 25 jogos sem derrotas, e venceu todos os jogos que fez na Copa até aqui. Entretanto, à exceção feita pela estreia diante da Dinamarca (2x0), as outras partidas foram vencidas de maneira pragmática, ainda que merecida, mas jamais com folga no placar (1x0 Japão, 2x1 Camarões, 2x1 Eslováquia, 2x1 Brasil e 3x2 Uruguai). 

EQUIPES CHEGAM À FINAL SEM ENCANTAR.  FRUSTRANTE? NEM PENSAR!
A série invicta da Holanda é bastante relevante, e levou o time laranja para sua terceira final de Copa do Mundo, mesmo sem ter encantado. A Espanha começou o torneio dando chance para o azar e para aqueles que sempre desconfiam de seu talento, mas atingiu seu objetivo, mesmo sem encantar. Dessa forma, temos dois grandes times que envolviam muitas expectativas antes de o torneio começar por conta do estilo vistoso de jogar de seus craques. No entanto, quando ambas as seleções atingem o objetivo maior do torneio, paira no ar a crítica de um futebol supostamente burocrático, pragmático demais para a tradição dos dois times. Mas o raciocínio deve ser revertido. É por terem percebido a necessidade de por os pés no chão, ou no campo, e a cabeça no lugar, jogando taticamente, que o talento das duas equipes as levou para essa final, da qual sairá um campeão inédito.

Acredito que a Espanha leva ligeira vantagem no talento individual de seus jogadores vis-à-vis os holandeses. Além disso, a Fúria, ora com Pedro, Fernando Torres, ou mesmo Jesús Navas atuando como ponta direita, possui mais variação de jogadas do que a Holanda de Bert van Marwijk, que pode ter chegado à final jogando pragmaticamente, mas conquistar um título mundial demanda mais do que isso. A partida não tem favoritos, mas eu tenho um palpite por mera sensibilidade.

Palpite: ESPANHA






quarta-feira, 7 de julho de 2010

Alemanha 0x1 Espanha


Ambas as seleções postadas no 4-2-3-1, com os espanhóis mais versáteis, invertendo posições e tendo mais movimentação que os germânicos.

ESPANHA NA SUA CARACTERÍSTICA, MAS SEM AGREDIR MUITO NO 1º TEMPO
A Espanha começou melhor na partida semifinal contra a Alemanha, não apenas porque mantinha quase 70% da posse de bola – essa é uma das características mais marcantes da Fúria – mas porque impedia os alemães de trocarem sequer três passes seguidos. Os onze jogadores espanhóis estavam praticamente postados da linha de mio campo para frente, encurralando os alemães, e anulando quaisquer tentativas de contra-ataque com sucesso.

Esse foi o panorama da primeira metade do 1º tempo, e duas chances claras foram criadas pela Espanha, com Villa e Puyol. A Alemanha não parecia se incomodar com a pressão espanhola. Parecia jogar diante de um risco calculado. E indicava que o bote no contra-ataque estava preparado caso a Espanha o permitisse, principalmente com a velocidade de Özil e as infiltrações sem bola de Khedira.

Quem teve um bom começo foi Pedro, indicado como substituto de Fernando Torres. A movimentação dele flutuava entre a linha de zagueiros e volantes alemães. Foi assim que ele deixou Villa na cara de Neuer, que fez excelente intervenção logo aos 6’.

A Alemanha terminou o 1º tempo equilibrando a batalha da posse de bola e ligando bolas com Özil e Klose.

A HISTÓRIA SE REPETE NO 2º TEMPO, A ESPANHA É MAIS AGRESSIVA
O 2º tempo foi uma repetição do primeiro, mas com a Espanha mais incisiva, arriscando finalizações e dribles no ataque, fazendo o gol parecer mera questão de tempo, ou de detalhe. O meio campo espanhol fazia Schweinsteiger parecer um mero coadjuvante da partida. A Alemanha se segurava na defesa. E a Espanha mantinha posse de bola acima por mais de 60% do tempo.

Depois de tanto tocar a bola e criar chances, a Espanha só achou seu gol em um lance inesperado pelas características espanholas. Xavi bateu escanteio e Puyol veio de trás para cabecear, sem marcação.

A Alemanha pagou pelo jogo tímido que fez. E a Espanha faturou todas as vitórias em mata-mata nessa Copa vencendo pelo placar mínimo. Mas jogando um futebol de qualidade máxima.


terça-feira, 6 de julho de 2010

Uruguai 2x3 Holanda


URUGUAI DESFIGURADO, HOLANDA IGUAL TATICAMENTE
Devido aos diversos desfalques do Uruguai para a partida, o técnico Oscar Tabarez precisou alterar bastante o time, inclusive taticamente, já que, sem Suárez, a opção foi por recolocar Forlán no ataque, em vez de tê-lo como armador no meio de campo. Assim, o volante Gargano entrou no time, e a Celeste se postou no 4-1-3-2, mas com quatro volantes de origem no meio, mais destacados na marcação dos alas e meio-campistas holandeses do que na criação propriamente dita.

A Holanda veio no seu bem treinado 4-2-3-1, com De Zeeuw no lugar de De Jong suspenso, do mesmo modo que Van der Wiel cedeu a vaga para Boulahrouz na lateral-direita.

MARCAÇÃO URUGUAI É O NOME DO JOGO NO 1º TEMPO
E a Holanda começou tomando a iniciativa do jogo, como é característica desse time, procurando manter a posse de bola no ataque. No entanto, encontrou uma dificuldade do tamanho do ímpeto uruguaio na marcação. A saída de bola holandesa sofria, e não conseguia acumular quatro passes seguidos. O Uruguai começou melhor dentro daquilo a que se propôs para o jogo, pois conseguia recuperar a posse de bola e ligá-la para Forlán e Álvaro Pereira, bem aberto na meia-esquerda do ataque, e conseguia criar oportunidades em meio à defesa europeia.

A Holanda não conseguia passar da intermediária com a bola nos pés. Sneijder era bem anulado, e errava passes. Mas a seleção laranja, apesar de tensa, nervosa, mantinha a bola no ataque. Em uma dessas posses, Van Bronckhorst, veterano lateral-esquerdo, acertou um chute que poucos conseguiriam dar em uma semifinal. Um golaço! Prova de um time em grande fase, e confiante.

A Holanda estava a frente do placar, mas o jogo era muito igual, equilibrado. Para tornar as coisas mais justas, Forlán, sempre ele, empatou o jogo, também em finalização de esquerda, de fora da área, como havia sido o gol laranja.

URUGUAI VAI MUITO BEM, MAS FASE DA HOLANDA É IRRESISTÍVEL
No 2º tempo, a Holanda veio com o ofensivo Van der Vaart no lugar de De Zeeuw, e a Holanda passou a atuar com apenas um volante. Prenúncio de uma Holanda atacando mais. No entanto, o que ocorreu de fato foi que a marcação uruguaia foi adiantada, e a bola mal chegava a Van der Vaart ou os demais jogadores de criação da Holanda. O Uruguai colocou a Holanda no bolso, e passou a ter grandes chances roubando a bola no seu próprio campo de ataque.

A Holanda teve a primeira chance no 2º tempo apenas aos 23’, em lance originado de um chutão, único recurso concedido pela marcação uruguaia. Mas, aos 25’, a Holanda tocou a bola várias vezes, como ainda não havia conseguido fazer. Em um chute fortuito, despretensioso, a bola de Sneijder desviou duas vezes antes de entrar lentamente no gol de Muslera. A Holanda estava a frente de novo, mais uma vez quando o jogo não lhe era favorável. Apenas três minutos depois, saiu outro gol laranja.

Precisando sair para o jogo, os volantes do Uruguai abandonaram Kuyt na ponta esquerda. O atacante holandês recebeu e teve tempo para calcular o cruzamento. Robben aproveitou que Godín chegou atrasado, e cabeceou para o fundo do gol. O placar não representava o que foi o jogo. Mas estava feito.

A Holanda matou o jogo, e a classificação.

Prognóstico Semifinais

O Uruguai vai a campo na Cidade do Cabo com a sensação de dever cumprido, o que pode ser bom ou ruim, na medida em que estarão psicologicamente tranquilos, pouco pressionados. A ver se esse fator afetará o desempenho do time celeste em campo. O que certamente irá prejudicar o jogo do Uruguai é a série de desfalques com a qual o técnico Oscar Tabárez terá de lidar: o artilheiro Suárez, expulso contra Gana, suspenso; o cherife da zaga, Lugano, contundido; o armador, Lodeiro, com o pé quebrado, está fora da Copa; o lateral-esquerdo absoluto, Fucile, suspenso por dois cartões amarelos. São três peças-chave do time titular, além de um dos poucos reservas com inspiração para mudar uma partida, que estão sem condições de jogo.

A Holanda, por sua vez, venceu todas as cinco partidas que disputou, inclusive uma virada contra o Brasil. EM minha opinião, é franca favorita, apesar de reconhecer que o Uruguai venderá caro uma eventual eliminação.
Palpite: HOLANDA

Alemanha e Espanha reeditam a final da Euro 2008, da qual a Espanha saiu vencedora e rasgou o rótulo de "virgem" do futebol mundial. A Alemanha apresentou o melhor futebol da Copa, e angariou a simpatia de boa parte dos brasileiros. Mas acredito ser um engano dar por favas contadas a semifinal contra a Espanha, e até mesmo o tetracampeonato germânico. Vale lembrar que a Alemanha corria o risco de nem passar para as Oitavas de Final, pois foi derrotada pela Sérvia e ganhou de Gana no sufoco. É sobre essas partidas que se deve fazer uma análise para o jogo contra a Espanha, pois Vicente del Bosque, técnico espanhol, certamente vai rever essas partidas e preparar sua seleção para neutralizar o jogo alemão. E lembro ainda que a Espanha ainda não explodiu nessa Copa, mas possui de longe o elenco mais qualificado da Copa ofensivamente,  e defensivamente não deixa a desejar, apesar de a dupla Puyol-Piqué não ter feito jus ao sucesso que têm no Barcelona. 

Ambas as eleções devem partir para o 4-2-3-1. Müller é desfalque na Alemanha. Trchowski deve substituí-lo como tem ocorrido nessa Copa. A Espanha, por sua vez, pode se dar ao luxo de abir mão de Fernando Torres para escalar David Silva ou Fábregas. Será um grande jogo, sem favorito algum, em que  dar palpites representa uma mera aposta, sem fundamentos.
Palpite: ESPANHA, para fazer uma final inédita contra a Holanda, ambas sem títulos mundiais.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Paraguai 0x1 Espanha


Paraguai e Espanha entraram em campo para disputar uma das vagas para as semifinais da Copa do Mundo 2010 com obrigações distintas.

A Espanha, pelo favoritismo inegável, carregava consigo a pressão para chegar entre os quatro melhores pela primeira vez em 60 anos de Copa do Mundo. O Paraguai, que já havia conquistado o melhor resultado da história do país em Mundiais, buscava alçar vôos mais altos, embora fosse mesmo uma baita zebra.

A Espanha veio postada no 4-4-2 de muita movimentação, como se viu durante o torneio, que basicamente se configurava no 4-2-3-1, com o trio Xavi-Iniesta-Villa e Torres à frente. Novamente, como já havia sido visto anteriormente, Fernando Torres não reuniu condições de jogar à altura de seu talento. E, dessa forma, Villa era a referência da Fúria. O Paraguai foi escalado pelo argentino Gerardo Martínez com diversas modificações por conta de jogadores suspensos e por opção tática. O 4-4-2 deu lugar ao 4-3-3 das primeiras exibições.

A partida foi bastante disputada pelo fato de o Paraguai ter entrado para não sofrer gols, e, à la Suíça, buscar um contra-ataque arrebatador. A seleção guarani foi bastante eficaz dentro daquilo a que se propôs, anulando a Espanha e até chegando ao gol no 1º tempo, invalidado pelo auxiliar. A Fúria não levou perigo. Apenas uma finalização de Xavi, por cima do gol, fez a torcida espanhola suspirar.

O 2º tempo foi uma réplica do primeiro, mas com doses extras de emoção, graças à atuação do árbitro guatemalteca Carlos Batres. Um pênalti claro dado para o Paraguai foi desperdiçado por Cardozo – Casillas defendeu. Outro, no minuto seguinte, nem tão claro, foi marcado para a Espanha. Xabi Alonso fez na primeira tentativa. Mas o árbitro mandou voltar, alegando . Na segunda cobrança, Villar defendeu, e, no rebote, Fábregas sofreu pênalti de Villar, não assinalado por Batres.

Mas David Villa estava com o pé na forma. E se tornou artilheiro da Copa 2010 aos 39' do 2º tempo. A Espanha passou sofrido, mais uma vez.

Argentina 0x4 Alemanha


O resultado de Argentina e Alemanha foi, evidentemente, surpreendente pela disparidade do placar entre duas equipes que faziam mais uma vez o clássico mais repetido das Copas do Mundo.

Entretanto, a vitória e a classificação alemãs não foram nem de perto uma surpresa para este blogueiro. Conforme estava anunciado, o esquema 4-2-3-1 de Joachim Löw estava claramente desenhado para vencer o remendado meio de campo argentino, armado mais uma vez no 4-1-3-2, em que esse “1” solitário, sobrecarregado, como queiram, era Mascherano.

Como se sabe, Di Maria e Máxi González não são reconhecidamente bom marcadores. São, pelo contrário, grandes jogadores no quesito técnica e habilidade. O mesmo vale para Messi, mas, é claro, o 10 portenho é muito melhor que os outros dois.

O DESASTRE ARGENTINO ANUNCIADO – POR MARADONA
O desenho tático indicava o massacre alemão na medida em que o trio de armadores alemão não precisava marcar os laterais argentinos, que nunca subiam com perigo (quando iam ao ataque, a natureza se encarregava de marcar Heinze e Otamendi, pois eles não possuem o cacoete ofensivo). Em contrapartida, fechavam a saída de bola argentina, e, quando retomavam a posse de bola, já estavam em superioridade numérica contra Mascherano, o solitário, jogando por dentro do ataque. Isso sem falar nos polivalentes Khedira e Schweinsteiger, que, além de marcar muito bem e anular o meio de campo argentino, distribuíam bolas e até apareciam no ataque, como no terceiro gol germânico.

É bem verdade que o gol de Müller logo no início da partida facilitou, e muito, o trabalho alemão, principalmente porque deu tranqüilidade aos jovens comandados de Joachim Löw, que conseguiram segurar o ímpeto argentino, por vezes desordenado, no 1º tempo.

O esquema tático argentino – e Mascherano – clamava por alterações, que não ocorreram até o gol de Klose, fazendo 2x0, que decretou a derrota argentina, logo aos 23’, confirmada pelas alterações de Maradona, que lançava atacantes e permanecia com Mascherano, o sobrecarregado, e agora pendurado, buscando evitar uma goleada. Em vão.

O resultado escancarou um técnico que entende de futebol, vitorioso, e um ex-jogador que se destacou mais pelo comportamento cômico extracampo do que pelo trabalho como técnico.