segunda-feira, 5 de julho de 2010

Holanda 2x1 Brasil


ESCALAÇÕES COM APENAS UM DESFALQUE PARA CADA LADO
O Brasil foi escalado com sua equipe considerada titular, apenas com Daniel Alves na função do contundido Elano, ao passo que a Holanda precisou substituir o zagueiro titular Mathjisen no dia da partida. Para o seu lugar, Ooijer, de 35 anos, para fazer dobradinha com o lateral esquerdo Van Bronckhorst, também com 35 anos nas costas.

As duas seleções vieram sem surpresas táticas para o duelo. A Holanda, no 4-2-3-1, com o temido trio de armação formado por Robben, Sneijder e Kuyt. Já o Brasil, armado no 4-4-2 que por vezes se configurava num 4-2-3-1, com seu trio composto por Robinho, Kaká e Daniel Alves, mas não tão fixo quanto o sistema holandês. Robinho por vezes aparecia na ponta direita do ataque. Kaká circulava por todo o gramado, e Daniel Alves também caía pela esquerda para armar jogadas.

Ao ler esse relato, você deve estar pensando que viu outro jogo. O que foi descrito acima representou o 1º tempo excelente da seleção brasileira. Mas o 2º tempo sofrível do time de Dunga, que culminou na eliminação, é o que ficou retido em nossa memória.

BRASIL IRRESISTÍVEL NO 1º TEMPO
O Brasil venceu a primeira etapa com sobras porque foi eficaz na marcação, e, principalmente, na saída de bola, efetuada com segurança por Gilberto Silva e Felipe Melo, e com rapidez e dinamismo por Daniel Alves e Kaká. Quando o Brasil superava a linha de três meio-campistas holandeses, já conseguia superioridade numérica contra os volantes De Jong e van Bommel. Esse aspecto, aliado ao fato de o time jogar em conjunto, aproximando Daniel Alves, Kaká, Robinho e Luís Fabiano para tabelas curtas e rápidas, resultou no baile parcial da seleção azul.

BRASIL ANESTESIADO NO 2º TEMPO: HOLANDA CLASSIFICADA
Em tese, isso não mudaria no 2º tempo. O Brasil tinha time para manter o ritmo. Só precisaria substituir o combalido – e amarelado – Michel Bastos por outro marcador para Robben, que nem ia tão bem assim. O ‘turning point’ da partida foi um gol acidental da Holanda, originado de um cruzamento sem maiores pretensões de Sneijder, que bateu em Felipe Melo em dividida com Júlio César, e morreu no fundo das redes.

O empate em lance fortuito teve impacto psicológico inimaginável para o experiente time brasileiro (maior média de idade da história brasileira em Copas). Tão inimaginável e inesperado que o Brasil passou a ceder à marcação da linha dos três holandeses no meio campo. A bola era rapidamente retomada pelos volantes, que, com qualidade, já acionavam o ataque laranja. A bola passou a pipocar nos pés canarinhos. A Holanda passou a ter o controle tático, mas, sobretudo, psicológico, da partida, mostrando que não apresenta apenas talento, mas aplicação tática e senso de vitória, algo que faltou ao fantástico time holandês da Euro 2008, eliminado nas quartas de final pela Rússia, a grande zebra daquele torneio.

O segundo gol laranja demonstra o estado de anestesia do time brasileiro. A posterior expulsão de Felipe Melo, que dera o passe para o belo gol de Robinho no 1º tempo, escancara o estado emocional do time, mais aflorado nele, jogador instável que é.

O Brasil perdeu para si mesmo, mas também porque do outro lado estava a Holanda.

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