ESCALAÇÕES COM APENAS UM
DESFALQUE PARA CADA LADO
O
Brasil foi escalado com sua equipe considerada titular, apenas com Daniel Alves
na função do contundido Elano, ao passo que a Holanda precisou substituir o
zagueiro titular Mathjisen no dia da partida. Para o seu lugar, Ooijer, de 35
anos, para fazer dobradinha com o lateral esquerdo Van Bronckhorst, também com
35 anos nas costas.
As
duas seleções vieram sem surpresas táticas para o duelo. A Holanda, no 4-2-3-1,
com o temido trio de armação formado por Robben, Sneijder e Kuyt. Já o Brasil,
armado no 4-4-2 que por vezes se configurava num 4-2-3-1, com seu trio composto
por Robinho, Kaká e Daniel Alves, mas não tão fixo quanto o sistema holandês.
Robinho por vezes aparecia na ponta direita do ataque. Kaká circulava por todo
o gramado, e Daniel Alves também caía pela esquerda para armar jogadas.
Ao
ler esse relato, você deve estar pensando que viu outro jogo. O que foi
descrito acima representou o 1º tempo excelente da seleção brasileira. Mas o 2º
tempo sofrível do time de Dunga, que culminou na eliminação, é o que ficou
retido em nossa memória.
BRASIL IRRESISTÍVEL NO 1º
TEMPO
O
Brasil venceu a primeira etapa com sobras porque foi eficaz na marcação, e,
principalmente, na saída de bola, efetuada com segurança por Gilberto Silva e
Felipe Melo, e com rapidez e dinamismo por Daniel Alves e Kaká. Quando o Brasil
superava a linha de três meio-campistas holandeses, já conseguia superioridade
numérica contra os volantes De Jong e van Bommel. Esse aspecto, aliado ao fato
de o time jogar em conjunto, aproximando Daniel Alves, Kaká, Robinho e Luís
Fabiano para tabelas curtas e rápidas, resultou no baile parcial da seleção
azul.
BRASIL ANESTESIADO NO 2º
TEMPO: HOLANDA CLASSIFICADA
Em
tese, isso não mudaria no 2º tempo. O Brasil tinha time para manter o ritmo. Só
precisaria substituir o combalido – e amarelado – Michel Bastos por outro
marcador para Robben, que nem ia tão bem assim. O ‘turning point’ da partida foi um gol acidental da Holanda,
originado de um cruzamento sem maiores pretensões de Sneijder, que bateu em
Felipe Melo em dividida com Júlio César, e morreu no fundo das redes.
O
empate em lance fortuito teve impacto psicológico inimaginável para o experiente
time brasileiro (maior média de idade da história brasileira em Copas). Tão
inimaginável e inesperado que o Brasil passou a ceder à marcação da linha dos
três holandeses no meio campo. A bola era rapidamente retomada pelos volantes,
que, com qualidade, já acionavam o ataque laranja. A bola passou a pipocar nos
pés canarinhos. A Holanda passou a ter o controle tático, mas, sobretudo,
psicológico, da partida, mostrando que não apresenta apenas talento, mas
aplicação tática e senso de vitória, algo que faltou ao fantástico time
holandês da Euro 2008, eliminado nas quartas de final pela Rússia, a grande
zebra daquele torneio.
O
segundo gol laranja demonstra o estado de anestesia do time brasileiro. A posterior
expulsão de Felipe Melo, que dera o passe para o belo gol de Robinho no 1º
tempo, escancara o estado emocional do time, mais aflorado nele, jogador
instável que é.
O
Brasil perdeu para si mesmo, mas também porque do outro lado estava a Holanda.
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